A tolerância

Cinco premissas prévias (à tolerância e não só):

1 – Somos seres humanos livres. Cada ser humano pode optar (e ao escolher exclui algo) quanto ao que considera os seus valores e projeto de vida.
2 – Se eu tenho este direito, o(s) outro(s) também tem.
3 – É devido o mesmo respeito às minhas convicções e às do outro, tendo ambos (todos) igual direito a difundir e a manifestar, pública ou privadamente. Aqui, a única limitação será a que advém do intolerável...
4 – Somos limitados. As nossas limitações são patentes: não somos o que queremos, não fazemos tudo que sonhamos, não temos o dom de estar onde desejamos. Dentro destes limites nos movemos.
5 - E as limitações manifestam-se também no modo como nos relacionamos. Conhecer os limites pessoais e os dos outros é uma tarefa que dura toda a vida.

"Pequeno Tratado das Grandes Virtudes" por André Comte-Sponville

"Limites da Tolerância" por Leonardo Boff

Outono

Toda vez que esse clima frio começa, tenho a sensação de estar sendo renovada. Não sei se é uma disfunção minha, talvez minha cabeça funcione com o outro lado do hemisfério que vive na primavera (ela sim o início de tudo), ou empatia com a estação.

Mesmo assim, cá estamos. Estação onde as folhas antigas começam a cair. A queda dá lugar ao salto. O salto traz novos, verdes limbos não explorados. E a folhas tantas começamos a aprender novamente.

Borboletas copulam em seu vôo suave. Abrem alas e asas para a transformação. Consigo vê-las pela janela a rodear os manacás que moram no jardim da escola. Adoro manacás. Aprendi com a Tarsila e ainda mais com a minha Vó Nena. Manacá é uma árvore com flores de três tons: branco, roxo e lilás. Não são exuberantes, são perfumadas. E como o são! Quando encontrar um manacá em seu caminho, pare, sinta-o e lembre-se de mim.

O tom de azul que vejo no céu hoje me dá vontade de passar o dia tomando vinho em um gramado com meus amigos. Esquentando-nos ao sol. Passando horas a fio com conversas sobre tudo e sobre nada. Conhecendo-os ainda mais porque pessoas são assim, livros gostosos de se ler cheios de ilustrações e poesia que nunca acabam! Não dá para fechar um livro-pessoa. Ele está em eterna confecção!

Contento-me com as lembranças que carrego de todos eles (vocês) e sigo o dia com alguns. Não da maneira que gostaria, no gramado, mas da maneira que é possível. E é assim que os detalhes são desfrutados, momentaneamente.

 

O céu de brigadeiro do outono e o gramado

 

O manacá-de-cheiro da Serra do Mar

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