Dançando no Escuro

 

Sim, assisti. Em meio às minhas pesquisas, procurei as (outras) obras de Lars Von Trier e o encontrei. Ali na prateleira da vídeo locadora com uma capa e um nome que são, até certo ponto, convidativos para um romance, uma história leve.

 

Não direi que não os há. A leveza, na verdade, é uma boa parceira de dança da crueldade no desenrolar da história. E como é lindo ver uma pessoa fascinada por musicais americanos. Tão fascinada que quer tomar parte de um, “A noviça rebelde”. E como perturba ver uma pessoa – a mesma por sinal – quase cega querer sapatear e cantar e rodopiar tal qual Maria, a personagem título do musical, por todo um palco improvisado.

 

A música "My favorite Things" é uma das mais lembradas quando se fala em musicais. Vem sim de uma das canções de Maria. E no filme vemos cenas da protagonista cantando estas linhas que nos remete a um domingo a tarde qualquer (culpa do Silvio Santos que colocou uma versão brasileira de “Do-re-mi” como tema de seu “Domingo no Parque”?)

 

(continua)

 

“Dançando no Escuro” motivou esta lista abaixo que “quando estou me sentindo triste, eu simplesmente lembro das minhas coisas favoritas e então, não me sinto mais tão mal”.

 

Assista à “Dançando no Escuro”. É um exercício que todos nós poderíamos fazer para ficar um pouquinho melhor do que duas horas antes de apertar o play. Mas, siga este conselho. Procure assisti-lo num dia de sol com passarinhos cantando à sua janela. O impacto é profundo. Na alma.

 

These are a few of my favorite things:

  1. Toalha quentinha de sol para me enxugar depois do banho;
  2. Abrir um sabonete novo, de fragrância desconhecida, para o primeiro banho;
  3. Mingau de chocolate à noite;
  4. Cheiro de café, gosto de café pela manhã;
  5. Depois eu penso no resto...

 

E você?

 

 

Sobre a arbitrariedade dos eventos

 

Algumas semanas atrás recebi um e-mail onde a pessoa dizia estar apaixonada por filmes de Luis Buñuel e me perguntava se eu já tinha assistido algum filme dele ou ouvido falar a respeito. A minha resposta, se eu tivesse respondido à pergunta, seria não. Hoje, pesquisando alguns livros para o projeto de mestrado, encontro o nome de Luis Buñuel associado ao de Salvador Dali e o nome de um filme “Un chien andalou” ou “O cão andaluz” de 1928. O livro já está na minha lista de aquisições.

 

Hoje durante o dia ocioso, chuvoso, preguiçoso e estudioso, tive uma imensa vontade de rever “Simplesmente Amor”, aquele filme bobinho onde o Hugh Grant faz o papel de primeiro-ministro da Inglaterra e mais um monte de outras personagens tem suas vidas cruzadas na época do natal. Como não quis sair de casa para alugá-lo, guardei a vontade para um outro dia. Depois de ter passado horas na frente do computador e de desejar um refresco – merecido – para os olhos, fui assistir à novela das nove. Em meio a um intervalo fui rodando os canais. Tv a cabo sempre tem um monte de opções, não é? Adivinha qual era uma delas? “Simplesmente Amor”. Coincidência? A música de uma das minhas histórias favoritas no filme fica aqui de presente para quem eu queria que estivesse “here with me”.

 

(continua)

"Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo o que eu quis
Confesso a minha dor
E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal
E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu voe

E o que passou, calou
E o que virá, dirá
E só ao seu lado, seu telhado
Me faz feliz de novo
O tempo vai passar
E tudo vai entrar no jeito certo de nós dois
As coisas são assim
E se será, será
Pra ser sincero, meu remédio é te amar, te amar
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo o que eu sinto longe de você"

(Prá ser sincero - Marisa Monte)

E a saudade vem para deixar ainda mais claro o seu significado na língua-mãe. Ando pela metade, como se parte de mim estivesse ausente, uma amputação temporária. De qualquer modo, o que resta aguarda e torce pelo sucesso do que foi.

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