Hoje, mexendo em minhas pastas da época da faculdade, encontrei uma das minhas primeiras traduções literárias. Datada de 10 de agosto de 1998, não parece estar tão longe assim de mim. Parece-me um resgate e, até certo ponto, um vislumbre. Dividida com vocês ela agora está.
As primeiras horas da madrugada
Vazio, ecôo ao menor som de passos,
Museu sem estátuas, grandioso, com pilares, pórticos, rotundas.
No meu pátio uma fonte salta e retorna a si mesma,
Reclusa e cega ao mundo. Lírios marmóreos
Exalam sua lividez como perfume.
Imagino-me com um grande público,
Mãe de uma alva Nice e vários Apolos de olhos desnudos.
Entretanto, os mortos ferem-me com a sua atenção, e nada pode acontecer.
A lua pousa seu brilho em minha fronte,
Inexpressiva e silenciosa como uma enfermeira.

Hoje é dia de Marisa!
E ainda será dia de Chico...
Lembrança inventada? Realidade passada?
Onde sua mente mergulha quando a crise te assola?

"Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar
Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração
Lembra, meu filho, passou, passará
Essa certeza, a ciência nos dá
Que vai chover quando o sol se cansar
Para que flores não faltem
Para que flores não faltem jamais"
(O rio cantado por Marisa Monte, composto por Seu Jorge, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Marisa Monte)
Para a pequena Júlia
E no sono tranqüilo a vida se faz.
Retroses de linhas de quem sabe mais
bordam histórias novinhas em folha,
para quem acabou de sair de uma bolha.
Destinos cruzados na palma pequena
Serão escritos com ponta de pena?
Ou aguados numa aquarela multicor?
Talvez venham nas veias de uma flor...
Tantas escolhas, tantos temores.
Caminhos oscilam entre gostos e dissabores.
Saberás trilhar o seu como ninguém mais,
E terás tua estrela junto aos belos cristais.
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