As músicas que Mara ama traduzidas em capítulos
Capítulo III: Peter Gabriel
Amor, às vezes fico tão perdido
Os dias passam e esse vazio enche o meu coração
Quando quero fugir
Dirijo sem rumo
Mas para qualquer lugar que eu vá
Volto para onde você está
Todos os meus instintos retornam
E a grande farsa vai logo incandescer
Sem um ruído, sem o meu orgulho
Me mostro por inteiro
Nos seus olhos
A luz o calor
Nos seus olhos
Estou completo
Nos seus olhos
Vejo o caminho para milhares de igrejas
Nos seus olhos
A solução de todas as minhas buscas sem resultado
Nos seus olhos
Vejo a luz e o calor
Nos seus olhos
Quero ser completo assim
Quero tocar a luz e o calor que vejo nos seus olhos...
Amor, não gosto de ver tanta dor
Tanto desperdiçado e este momento teima em nos escapar
Fico tão cansado de fazer tanto pela nossa sobrevivência
Lembro do tempo com você para me manter desperto e vivo
Todos os meus instintos retornam
E a grande farsa vai logo incandescer
Sem um ruído, sem o meu orgulho
Me mostro por inteiro
Nos seus olhos
A luz o calor
Nos seus olhos
Estou completo
Nos seus olhos
Vejo o caminho para milhares de igrejas
Nos seus olhos
A solução de todas as minhas buscas sem resultado
Nos seus olhos
Vejo a luz e o calor
Nos seus olhos
Quero ser completo assim
Quero tocar a luz e o calor que vejo nos seus olhos...
(In your eyes)
PS... para ele que está longe dos olhos mas dentro do coração
Educação Sentimental
No final do romance homônimo ao título acima, dois amigos se encontram e lembram coisas que nunca aconteceram. Flaubert acreditava que a expectativa era a forma mais pura de prazer e a mais confiável também. E que enquanto as coisas que realmente aconteceram, vez ou outra te decepcionam, as coisas que não aconteceram não perdem o brilho jamais. Nunca desaparecem. Sempre ficam tatuadas em seu coração como uma doce tristeza.
Orfeu: Namorada! Vai bem depressa. Deus te leve. Aqui ficam os meus restos a esperar por ti que dás vida!
(Eurídice atira-lhe um beijo e sai)
Orfeu: Mulher mais adorada! Agora que não estás, deixa que rompa o meu peito em soluços! Te enrustiste em minha vida; e cada hora que passa é mais porque te amar, a hora derrama o seu óleo de amor, em mim, amada...
E sabes de uma coisa? Cada vez que o sofrimento vem, essa saudade
de estar perto, se longe, ou estar mais perto se perto, - que é que eu sei! Essa agonia de viver fraco, o peito extravasado o mel correndo; essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu; tudo isso que é bem capaz de confundir o espírito de um homem - nada disso tem importância. Quando tu chegas com essa charla antiga, esse contentamento, essa harmonia, esse corpo! E me dizes essas coisas
que me dão essa força, essa coragem, esse orgulho de rei. Ah, minha Eurídice! Meu verso, meu silêncio, minha música! Nunca fujas de mim!
Sem ti sou nada. Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada. Orfeu menos Eurídice... coisa incompreensível! A existência sem ti é como olhar para um relógio só com o ponteiro dos minutos. Tu és a hora, és o que dá sentido e direção ao tempo, minha amiga mais querida!
Qual mãe, qual pai, qual nada! A beleza da vida és tu, amada. Milhões amada! Ah! criatura! Quem poderia pensar que Orfeu: Orfeu cujo violão é a vida da cidade e cuja fala, como o vento à flor despetala as mulheres - que ele, Orfeu ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dente branco.
Vai teu caminho que eu vou te seguindo no pensamento e aqui me deixo rente. Quando voltares, pela lua cheia para os braços sem fim do teu amigo!
Vai tua vida, pássaro contente. Vai tua vida que eu estarei contigo!
Reproduzido do livro '”Orfeu da Conceição”, Vinicius de Moraes.
Declamado por Maria Bethânia no disco “Que falta você me faz”
A caixa
Chiara adentrou o quarto num rompante. Pegou o objeto pesado nos braços e saiu interrompida.
Era um pensionato de moças e ela estava ali naquela cidade fria pelos estudos. Houve o segundo corte umbilical sem muita dor e nem apego. Já era muito madura para a sua idade e compreendia a sucessão de fatos que estavam adiante. Na moradia as moças dividiam seus quartos pelo tamanho. Havia aqueles com duas e outros de até cinco meninas. Chiara tinha três camas no seu e os corpos que o habitavam não estavam ali naquele momento. Era sábado.
Posicionou a caixa no colo como uma boneca em forma de bebê. Desprendeu o cadeado e usou o seu lado maternal para abri-la de forma carinhosa e dura ao mesmo tempo. Uma sensação agridoce que ela conhecia bem. Pegou os papéis nas mãos e deitou-os na colcha de fuxicos.
Envelopes de vários anos se apresentavam. 1985, 1986, 1987...2003, 2004, 2005. Ficou imóvel por um momento. Prendeu a respiração. Acariciou o que estava prestes a abrir. Tomou um gole de seu Baron D’Arignac e ganhou coragem.
Tudo o que a caixa continha eram aspirações, desejos. Distúrbios eram causados a cada vez que ela se abria. Não era filha de Pandora mas sim de Olympia. Trazia a tona o lado negro de Chiara e sempre pedia um papel a mais para o ano vigente. Esse foi o motivo da abertura dessa vez. Havia o maior desejo e a vontade de que fosse o único realizado.
Uma imagem invejada da maneira mais inocente possível. Dias atrás um casal caminhava pelas ruas da cidade fria em que ela morava trazendo, assim, um colorido para aquele mundo cinza. Ela de calças jeans, uma camisa branca, rabo de cavalo. Ele de roupas sociais, recém chegado do dia de trabalho. Caminhavam a passos curtos e desacelerados como se Chronos tivesse aberto uma brecha em seu relógio só para aquele momento acontecer. No meio dos dois caminhava uma menininha de mãos dadas com roupas coloridas e cabelos castanhos caídos aos ombros. Ela se balançava com o apoio dos dois adultos e ria uma risada gostosa e grande daquelas que dão vontade de rir também sem nem mesmo saber o motivo.
Escreveu e imediatamente viu o rosto do outro apoio para o balanço - claro, amável, de olhos grandes num castanho esverdeado sem igual. Colocou-se do outro lado e deu as mãos.
Each pray'r accepted, and each wish resign'd.
- Alexander Pope
Arrumou as flores desordenadamente no vaso sobre a mesa, um belo cartão de visita para quem chegasse pela porta diagonal da sala. Quem? Ele. Definitivamente. O desejo de sentir o seu cheiro, o seu toque, o seu beijo eram urgentes e distantes. Um paradoxo. Um vai-e-vem de momentos do passado, da sorte de tê-lo encontrado entre tantas paixões. Um amor. Preencheu o dia com atitudes mecânicas. Trabalhou, viu pessoas, ouviu Yes para enganar o buraco do coração. Venceu o dia. Ganhou o sustento. Fez da arte culinária um refúgio para a mente saudosa. Amassou, puxou, lambeu, provou usando a mesma sensualidade de gostos libidinosos. Jantou à solidão da mesa posta. Deitou-se em lençóis limpos. Não tinha o hábito de rezar mas, nesse dia, fez uma prece. Pediu que a "entidade maior" protegesse o pedaço dela que vagava em outro mundo, longe de seu zelo, de seus olhos, de seus braços. Pediu um caminho leve e divertido para os passos largos. Pediu confiança e coragem para as horas vazias. Adormeceu. As flores são o fato do cuidado. O jardim é de sonhos. Amanhece um novo dia. Menos um. “Neste mundo de tantos anos Entre tantos outros Que sorte a nossa, hein? Entre tantas paixões Este encontro Nós dois, este amor”
As crianças no submarino amarelo
Meados de 2004 e uma teacher cansada de dar aulas e de suas aulas. Tudo na mesmice, imaginação zero. Olhando para os CDs empilhados, a resposta - Beatles. Falar sobre a banda, a história da época e a revolução rítmica para as crianças de 7 e 8 anos. Qual música? Qual disco? Hello Goodbye. Magical Mystery Tour. Pulo do gato, golpe de mestre.
Final de inverno de 2005 e uma teacher cansada de tudo. Mudar de profissão? Refinar a profissão? Parar tudo e deixar o tempo passar? A vontade não existe. Minha motivação esgotou. Preciso de novos desafios. Não sei qual é o caminho. Mesmas perguntas, outras respostas. All together now. Yellow submarine. Com vontade ou sem, navegar é preciso, viver é que não.
Ano Pessoal 9
Este é um ano em que deve se livrar de tudo que não é mais necessário, especialmente pessoas para as quais não existe mais lugar em sua vida. Esse ano representa o final de um ciclo pessoal e justamente por isso deve efetuar uma faxina para dar espaço para o novo ano, que se iniciará no próximo aniversário.
É um excelente período para viajar, escrever e estudar, principalmente assuntos relacionados com o seu aprimoramento pessoal. Alguma espécie de perda sempre ocorre nesse ano. As atividades humanitárias, os desapegos emocionais vão garantir o sucesso do período.
Os obstáculos que deve evitar são os decorrentes dos apegos emocionais, ciúmes e possessividade.
Hehehe... Desde abril até abril, faltam 7 meses para o próximo aniversário e eu já estou pedindo arrego. Mas quem disse que eu acredito nessas ondas esotéricas? Sou uma pessoa cética! Nessa vocês não me pegam!
O tempo
Há sempre o ditado de que o tempo passa rápido quando se faz algo que te dá prazer, né? Fiquei pensando sobre isso enquanto voltava de SP para Jundiaí hoje. Uma semana tem sete dias, um dia vinte e quatro horas. O intervalo é o mesmo seja lá o que for que estiver fazendo. Aprender inglês em oito semanas é rápido, aprender a dirigir em oito semanas é devagar. Obter resultados em uma academia em um mês é rápido, reduzir poucos quilos com uma dieta rigorosa em um mês é devagar. Engraçado como a gente se vende à medida de tempo dos outros. Compramos a divisão de tempo que alguém fez. Isso não foi estipulado por mim ou por você. É uma convenção social e temporal.
Estar perto em dois meses é rápido, estar longe é devagar. Please, Chronos, help me! :-(
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