(vazio)

vendaval

acariciante

zune

implacável

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chamas

adentram

1anima

desconexa

 

- cheio -

Para você...

 
"- Amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se pode dar de si, disse Ulisses.
 
- Não sei, meu amor, mas sei que meu caminho chegou ao fim: quer dizer que cheguei à porta de um começo.
 
- Mulher minha, disse ele.
 
- Sim, disse Lóri, sou mulher tua.
 
A madrugada se abria em luz vacilante. Para Lóri a atmosfera era de milagre. Ela havia atingido o impossível de si mesma." 
 
Clarice Lispector 
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres
 

Festa Literária Internacional de Paraty

O regresso

“O bom filho à casa torna”. Toda vez que chegamos de viagem é o mesmo ritual: contar o que aconteceu sob várias óticas para diferentes pessoas queridas, entregar as “lembrancinhas”, desfazer as malas, adaptar-se ao que deixamos por aqui, retomar o ritmo frenético dos dias. E, em qualquer lugar, me perguntam como foi a FLIP. Fiquei pensando em uma maneira de fazê-los sentir um pouco do que eu tive lá, e acabei me encontrando com essa imagem lembrança que caiu como uma luva. Vamos lá:

 

Imagem da infância. Festa de aniversário. Embrulhos que escondiam quebra-cabeças. Depois do papel rasgado, as figuras acima da caixa saltavam aos olhos. Elas eram o resultado das pecinhas que ainda estavam dentro. Espalhar tudo sobre uma mesa e categorizar ora por cor, ora por forma. De encaixe a encaixe, o que era um simples pedacinho verde vira uma árvore, o amarelo ouro um cacho de acácias “incendiado pelo sol”, gotas vermelhas pingavam para montar a bandeira. Quando o último entrava no cenário a magia estava completa! Todos juntos exibiam uma imagem ampliada, rica em detalhes, mais colorida do que aquela primeira da caixinha. E aí estava a recompensa das horas gastas para juntar, “quebrar a cabeça” e concluir o trabalho, agora digno de um quadro.

 

Essa foi a FLIP para mim. Como transpor um sonho para a realidade. A cada passo pelas ruas de pedras – haja escorregão! – uma peça entrava para o meu mural. Tudo ampliado, mais bonito, vivo. Tudo do jeito que eu imaginava na tampa da “minha” caixinha. O clima que envolveu a cidade por cinco dias só pode ser encontrado lá. Paraty enfeitiça e fez com que eu desejasse transportar toda a minha vida daqui para lá. Trouxe também o desejo de abrir “portinhas” em cada lugar que lembranças de alguém especial exigia a presença física. Fotos? Fotos não bastam pra mostrar o que é estar lá. Está no ar, no mar, no luar. De e para ti.

 

Fica o convite para os dias vindouros aqueles tão essenciais nessa minha viagem da alma histórica, cultural e passional...

 

Longa vida à FLIP!

 

Viagem da Alma

“(...)

O mar é só mar, desprovido de apegos,
matando-se e recuperando-se,
correndo como um touro azul por sua própria sombra,
e arremetendo com bravura contra ninguém,
e sendo depois a pura sombra de si mesmo,
por si mesmo vencido. É o seu grande exercício.

Não precisa do destino fixo da terra,
ele que, ao mesmo tempo,
é o dançarino e a sua dança.

Tem um reino de metamorfose, para experiência:
seu corpo é o seu próprio jogo,
e sua eternidade lúdica
não apenas gratuita: mas perfeita.

(...)”

(Cecília MeirelesO mar absoluto)

Mirar al mar - See the sea - Olhar o oceano

As músicas que Mara ama traduzidas em capítulos

 

Capítulo I: The Beatles

 

Certa vez havia um caminho para voltar pra casa
Certa vez havia como retornar para o lar
Durma, meu querido, não chore
Que eu vou te ninar com uma canção

Sonhos dourados enchem os seus olhos
Sorrisos te esperam quando você acordar
Durma, meu querido, não chore
Que eu vou te ninar com uma canção

Certa vez havia um caminho para voltar pra casa
Certa vez havia como retornar para o lar
Durma, meu querido, não chore
Que eu vou te ninar com uma canção

 

Você terá de carregar este peso
Carregar este peso por um longo tempo
Você terá de carregar este peso
Carregar este peso por um longo tempo

Nunca te dou meu travesseiro
Só te mando meu convite
E no meio das festas
Caio numa crise


Você terá de carregar este peso
Carregar este peso por um longo tempo
Você terá de carregar este peso
Carregar este peso por um longo tempo


Você nunca me dá seu número,
Você só me entrega seus papéis engraçadinhos
E no meio do interrogatório
Caio numa crise...

Você terá de carregar este peso
Carregar este peso por um longo tempo
Você terá de carregar este peso
Carregar este peso por um longo tempo

 

Você estará nos meus sonhos hoje à noite?

E no final

O amor que você recebe

É igual àquele que você dá...

 

 

(Golden Slumbers, Carry that weight, The end )

 

Homenagem exclusiva ao meu escorpiano favorito...

O legado deixado vai muito mais além das edificações e dos testamentos. O gostar de Beatles, a paixão pelos números e problemas de lógica, o valor da dedicação à construção de um ideal são os bens que ficam. São os que "estão ficando" pra mim. Obrigada ao tempo por poder usar o verbo aí atrás no gerúndio. Obrigada pelo convívio, pai. Obrigada pelas lições... E que sonhos dourados encham o seu coração sempre!

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