Uma Aprendizagem - parte 1
"- E então você não quis mais nada disso. E parou com a possibilidade de dor, o que nunca se faz impunemente. Apenas parou e nada encontrou além disso. Eu não digo que eu tenha muito, mas tenho ainda a procura intensa e uma esperança violenta. Não esta sua voz baixa e doce. E eu não choro, se for preciso um dia eu grito, Lóri. Estou em plena luta e muito mais perto do que se chama de pobre vitória humana do que você, mas é uma vitória. Eu já poderia ter você com o meu corpo e com a minha alma. Esperarei nem que sejam anos que você também tenha corpo-alma para amar. Nós ainda somos moços, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira. Mas olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia. Mas eu escapei disso, Lóri, escapei com a ferocidade com que se escapa da peste, Lóri, e esperarei até você também estar mais pronta." - C. Lispector
E eu ainda tento com todas as forças ser um ser humano mais completo, mais coeso. Fracasso em partes. Vejo que nem tudo é cor-de-rosa e que o mundo existe para nos fazer sofrer e testar-nos. Essa é a função do mundo. Os prazeres chegam e vão embora. O mundo fica. Castrador, potente e sagaz. E cada vez nos amamos menos. Por cada pequeno defeito, um deslize, uma máscara. As pessoas se deixam levar pelo mundo e penam. Pesa o que já foi feito e a impotência de mudar. Queremos sempre mais e valorizamos pouco o que já conquistamos.
Viver é simples demais! Por que complicar tanto?
Chega de cobranças, chega de pensar.
Vou com a maré.

(Re)Nascimento
Tela, comunicação
O mundo oscila entre tumulto e solidão
Perigos, fobias inventadas
Dádivas, fantasias realizadas
Qual o preço?
Saudade, falta
A tristeza dá um pulo e salta
Paixão, loucura carnal
Sonhos, amor casual
Até quando?
Planos, fronteira
A ilusão de uma vida corriqueira
Realidade, máscara colorida
Destino, fé bandida
Em quê?
História
Depois de muitas músicas, muitas emoções (tô pior que o Robertão já!), resolvi voltar aos posts pessoais...o famoso PP!
Minhas fases estão atropelando meus pensamentos. As ações parecem ter tomado conta de minha rotina totalmente. Não tenho mais cabeça pra minha cabeça!
E aí a coisa só tende a melhorar!
Se eu não moro mais em mim, tenho outra casa pra limpar e pra cuidar! Gostei dessa idéia. Só que sempre há um porém. Quando a gente está de mudança, começamos a avaliar a qualidade das coisas que vamos levar pra casa nova. Afinal ela é tão limpa, tão assustadoramente perfeita que não merece ser infestada logo de cara. A seleção foi rigorosa e resolvi viajar leve dessa vez. E sem expectativas. Levo pra minha casa as coisas brancas.
Joguei fora as decepções de todos os tipos. Com o descarte perdi a esperança em algumas coisas e pessoas. Não veja isso pelo lado negativo. À primeira vista parece uma coisa meio fria, automática, mas não! Contando com o fracasso, a menor vitória já é motivo de comemoração. Problema é quando contamos com a vitória e somos surpreendidos.
Momento de reflexão: depender de alguém sempre me trouxe frustração. Tenho de aprender a sempre me bastar, afinal nascemos e morremos sozinhos. Eu sou a minha melhor companhia.
Sempre forte, sempre solidária. Por mais que doa - e dói muito - não consigo mudar. Vai ver esse é o meu fardo. Ou sou eu quem espera demais.
Casa nova, vida nova!
Bem-vindos!
Cadê a tampa da minha panela, o chinelo do meu pé cansado, a metade da minha laranja?
Nossa colunista sonha com seu futuro marido
Tá em ebulição, vazando, transbordando, e nada da tampa da panela pra socorrer a lambança. É culpa da pressão que eu ponho em tudo isso? É o que dizem: desencana que uma hora ele aparece.
O pé cansado já tentou calçar (à força) do chinelão que descola as tiras ao sapatinho de cristal. Nenhum serviu e o coitado tá todo esfolado.
Ninguém pra descascar, chupar ou fazer uma laranjada. Em compensação, laranjas na minha vida não faltam. E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo.
Fim de ano sem amar é deprê, hein? Tô megera o suficiente pra ver uma família feliz no shopping e pensar que aquela instituição “image bank” não passa de uma união solitária de aparências. Tô megera o suficiente pra furar a fila do Papai Noel e pedir um pirulito, bem grande, bem grosso, bem exclusivamente apaixonado por mim.
Tô megera o suficiente pra abraçar os veadinhos do trenó em homenagem aos meus ex-casos. Tô megamegera o suficiente pra não admitir minha carência e dar uma risada debochada de todas as luzes, canções e emoções de boas-festas.
Tá, mas no especial do Roberto Carlos não vai dar pra ser megera. O filho da mãe sempre me faz chorar. É impressionante como a gente se sente sozinha na porra do especial do Roberto Carlos.
É claro que eu desejo o meu sucesso profissional, dinheiro, saúde, ..., mas nada de atacar para todos os lados nas simpatias deste réveillon. Não dá certo. Este ano vou focar no amor: calcinha vermelha, fitinhas vermelhas e as sete ondas vão ser puladas com a mão no coração (se eu usar a frente-única branca que comprei, é bom que a mão no coração já segura um peito) e uma só intenção: encontrar o danado.
Ah, sejamos sinceras mulheres modernas: no fundo, no fundo, a gente quer mesmo é alguém pra dormir protegida no peito (de preferência largo, forte e levemente cabeludo).
E nem é medo de ficar pra titia não, além de ter cara de mais nova e ser bem nova, eu sou filha única. É vontade de sentir aquela coisinha misteriosa de “é esse!”. Como será sentir isso? Eu sempre sinto que “pode ser esse, ou talvez com algumas mudancinhas possa ser esse ou talvez se ele quisesse, poderia ser esse...”. Não, isso tá errado. Quero sentir que “é esse”.
Dizem que materializar os sonhos escrevendo ajuda, então lá vai: quero transar com beijo na boca profundo, olhos nos olhos, eu te amo e muita sacanagem, quero cineminha com encosto de ombro cheiroso, casar de branco, ser carregada no colo, filhos, casinha no campo com cerquinha branca, cachorro e caseiro bacana. Quero ouvir Chet Baker numa noite chuvosa e ter de um lado um livrinho na cabeceira da cama e do outro o homem que amo.
Quero sambão com churrasco e as famílias reunidas. Quero ter certeza, ali no fundo da alma dele, de que ele me ama. Quero que ele saia correndo quando meu peito amargurado precisar de riso. Que ele esqueça, de vez em quando, seu lado egoísta, e lembre do meu. Que a gente brigue de ciúmes, porque ciúmes faz parte da paixão, e que faça as pazes rapidamente, porque paz faz parte do amor. Quero ser lembrada em horários malucos, todos os horários, pra sempre. Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for
sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo
de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina. Que a sua remela seja sequinha e não gosmenta e que o tempo leve um pouco de seu cabelo (adoro carecas...). Que suas escatologias não passem de piada e se materializem bem longe de mim. Tem que gostar de crianças, de cachorrinhos, da minha mãe, e tem que odiar ver pessoas procurando comida no lixo. Tem que dançar charmoso, ser irônico, ser calmo porém macho (ou seja, não explodir por nada mas também não calar por tudo). Tem que ser meio artista, mas também ter que saber cuidar dos meus problemas burocráticos. Tem que amar tudo o que eu escrevo e me olhar com aquela cara
de “essa mulher é única”.
É mais ou menos isso. Achou muito? Claro que não precisa ser exatamente assim, tintim por tintim. Exigir demais pode fazer eu acabar sozinha em mais shows do Roberto Carlos. Deus me livre! Bom, analisando aqui, dá pra tirar umas coisinhas. Deixa eu ver... Resumindo então: tem que dizer que me ama e me amar mesmo, tem que rolar umas sacanagens e não pode ter remela gosmenta. Pronto!
E quando eu tiver tudo isso e uma menina boba e invejosa me olhar e pensar que “aquela instituição feliz não passa de uma união solitária de aparências” vou ter pena desse coração solitário que ainda não encontrou o verdadeiro amor.
***Texto da Tatiane Bernardi da revista TPM
PS Eu só tiro o "careca" da minha seleção... Um bom cabelo pra cafuné é tudo!
Everything
(Alanis Morissette)
I can be a nightmare of the grandest kind
I can withhold like it's going out of style
I have the bravest heart that you've ever seen
And you've never met anyone who's as positive as I am sometimes
You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here
I blame everyone else, not my own partaking
My passive-aggressiveness can be devastating
I'm the most gorgeous woman that you've ever known
And you've never met anyone who's as everything as I am sometimes
You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here
What I resist, persists, and speaks louder than I know
What I resist, you love, no matter how low or high I go
You see everything, you see every part
You see all my light and you love my dark
You dig everything of which I'm ashamed
There's not anything to which you can't relate
And you're still here
And you're still here
And you're still here...
Photograph
(Richard Starkey and George Harrison)
Ev'ry time I see your face,
It reminds me of the places we used to go.
But all I got is a photograph
And I realise you're not coming back anymore.
I thought I'd make it the day you went away,
But I can't make it
Till you come home again to stay...
I can't get used to living here,
While my heart is broke, my tears I cried for you.
I want you here to have and hold,
As the years go by and we grow old and grey.
Now you're expecting me to live without you,
But that's not something that I'm looking forward to.
I can't get used to living here,
While my heart is broke, my tears I cried for you.
I want you here to have and hold,
As the years go by and we grow old and grey.
Ev'ry time I see your face,
It reminds me of the places we used to go.
But all I got is a photograph
And I realise you're not coming back anymore.
Eu te amo.
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