Metade

Essa música me foi trazida por uma aluna muito especial. Temos vidas muito parecidas no momento. Espero de todo o coração que a gente consiga encontrar uma luz no fim do túnel tão longo que é essa vida. A vida em busca de ser individual é muito solitária, pois é um caminho que se trilha sozinho, sem apoio, sem mãos extras. Usa-se as duas que você já possui, coloca-se luvas de tempos em tempos para proteger mas, o que se pega ou se larga é contigo e só. As decisões cabem dentro dos dedos.

A cabeça ferve.

Histórias de amores incondicionais são contadas para mim justamente no período em que tento me livrar das minhas. Minhas histórias não são mais minhas. São ficções lidas em um outro livro, em um outro tempo. Dói, dói muito tê-las vivido de verdade e não poder sentir tudo aquilo mais uma vez por pura indiferença da outra parte que faz toda a diferença.

Se por um segundo eu pudesse mostrar todo o sentimento que existe por você, tudo o que você já despertou, tudo o que me impulsiona. Você pode ser um fruto de minha imaginação, não me importo, as sensações são muito reais.

Mas você é livro agora. Vendido a um sebo. Doado a uma instituição. Queimado e só vivo na memória de quem o leu mas, de fato, não viveu aquilo.

Metade                                                                                                                                    Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.
Quer as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também.

Acorda...

MELODIA SENTIMENTAL
(Heitor Villa-Lobos - Dora Vasconcelos)

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm o espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que dorme na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar

Hoje ouvi essa música simplesmente be-lís-si-ma na casa de Wauke & Nelci e me emocionei muito. A voz era de Zizi Possi que já soube muito bem achar as veias de meu coração com Beatriz. Fiquei pensando no jeito de cantar dela e em como um amor assim, sereno, embala a vida das pessoas e protege. Creio que em meio a tanto frio, eu estou mesmo é precisando disso: proteção, afago, carinho na cabeça.

Sorte dos meus alunos que recebem carinho adoidado sem ao menos pedir! Sorte a minha que os tenho para me confortar e dar beijinhos de "Goodbye teacher" no final da aula. Goodbye Stranger???

Tolices

Tolices                                                                                                                                                                                   Ira!

São tolices
o que penso sobre você
Você não pensa em mim
E andamos na mesma rua
Vivo sonhando
Imaginando você
Imagino pegadas
E as vou seguindo

É tolice eu sei
Você não sente os meus passos
Mas eu imagino
Mas eu imagino

São tolices
o que penso sobre você
Você não pensa em mim
E andamos na mesma rua
Vivo sonhando
Imaginando você
Imagino pegadas
E as vou seguindo

Um olá talvez
Mas para mim de nada vale
Isso estragaria
O meu "faz de conta"

É tolice eu sei
Você não sente os meus passos
Mas eu imagino
Mas eu imagino

Uma vez conversamos sobre essa música, eu, João e Louis. Íamos em direção à "famosa" Caraguá dentro do saudoso petit Peugeot quando a melodia começou. A discussão girou em torno do "faz-de-conta" e "andamos na mesma rua". Naquela noite a conclusão foi a seguinte: Para ele, a menina era inacessível, daquelas que se admira à distância, a famosa "muita areia pro meu caminhãozinho". Para ela, o cara era um rapaz comum, que "anda na mesma rua", faz as mesmas coisas, tem a mesma vidinha corriqueira e, então, não a interessa.

Que coisa não? Quantos sonhos... Quantas pessoas nos observam e nos acompanham à distância? Quantos andam na "nossa" rua e são ignorados?

E isso tudo me lembra um filme que meus teens adoram e que, believe it or not, é baseada numa das peças do meu querido Guilherme (pra quem não sabe, a.k.a. Tio Shakespeare).

Memorable Quotes from the movie 10 THINGS I HATE ABOUT YOU (1999):

Kat Stratford: I hate the way you talk to me, and the way you cut your hair. I hate the way you drive my car. I hate it when you stare. I hate your big dumb combat boots, and the way you read my mind. I hate you so much it makes me sick; it even makes me rhyme. I hate it, I hate the way you're always right. I hate it when you lie. I hate it when you make me laugh, even worse when you make me cry. I hate it that you're not around, and the fact that you didn't call. But mostly I hate the way I don't hate you. Not even close, not even a little bit, not even at all.

"Eu não sabia, tu não sabias fazer girar a vida com seu montão de estrelas de oceano entrando-nos em ti! Bela, bela, mais que bela! Mas como era o nome dela? Não era Helena, nem Vera, nem Nara, nem Gabriela, nem Teresa, nem Maria. O seu nome, o seu nome era? Perdeu-se na carne fria, perdeu-se na confusão de tanta noite, tanto dia, perdeu-se na profusão das coisas acontecidas. Mudou de cara e cabelos, mudou de olhos e risos, mudou de casa e de tempo mas está comigo, está perdido comigo o seu nome..."

(Ferreira Gullar - trecho de Poema Sujo - interpretado por Maria Bethânia em "Maricotinha ao vivo")

Decifra-me!

Esses dias de outono são "os" dias!!! Como eu queria que o ano todo tivesse essa temperatura! Ia ser muito bom... Como isso não é possível, aproveitemos!

Esses dias estou com o carro reserva da seguradora porque o Corsa, primogênito, está no conserto por ter se envolvido com carrancas erradas mais uma vez. Esse menino não aprende nunca, viu! Tá precisando de um corretivo! Bem, como ia dizendo, estou com outro carro, filho postiço, e esse não possui rádio, o que me causa uma série de reflexões e observações enquanto dirijo.

A primeira delas é como o pôr-do-sol é lindo nesses dias de outono. O céu alaranjado é simplesmente coisa de fotografia de filme do Peter Jackson! Se eu pudesse, entre as minhas trocas de escolas, pararia lá no morro do Jardim Paulista perto da casa do Johnny para contemplá-lo. Embora eu prefira o nascer do sol, tenho de me render as esses crepúsculos (nossa! Lembrei daquele conto horrendo da Lygia Fagundes Telles agora... vixi! Credo!).

A segunda são as pessoas. Essas pessoas!!! Cada uma com seus dilemas, problemas, teoremas e outros -emas por aí. Tem os apressados, os gentis, os cabeça-de-vento. Gosto mesmo daqueles que não estão nem aí! Invejo aqueles que tem tempo para andar na rua com a famosa mochila nas costas e um walkman no ouvido (walkman??? Mara, acorde! Discman!!!). Coisa que já fiz muito e sinto muita falta! Vento frio no rosto, o movimento dos braços, pernas te levando ao objetivo. Caminhar no ritmo da música, abrir o peito, cantar alto!

E a terceira é Jundiai. Embora eu não seja muito fã do meu chefe-mór, o prefeito, a cidade está muito bonita. Muito mais do que eu lembrava quando ainda tinha tempo para reparar nela. É bom perceber isso. Que as coisas mudam... There are places I´ll remember all my life, though some have changed...

Putz, Mara saudosista é phoda, né???

Memorable Quotes from the movie BEING JOHN MALKOVICH (1999):

Charlie: Truth is for suckers, Johnny Boy.

John Malkovich: You see, Maxine, it isn't just playing with dolls.
Maxine: You're right, my darling, it's so much more. It's playing with people!

Craig Schwartz: You don't know how lucky you are being a monkey. Because consciousness is a terrible curse. I think. I feel. I suffer. And all I ask in return is the opportunity to do my work. And they won't allow it... because I raise issues.

Maxine: Here's the thing: If you ever get me, you wouldn't have a clue what to do with me.

Craig Schwartz: What happens when a man goes through his own portal?

MM strike back!!!

center

Café Tequila - All Black Night - 13/05/04

"Dona do Dom que Deus me deu!"

Hoje o dia começou com aquela névoa típica de cidade serrana. Jundiaí estava totalmente escondida pelas brumas. Estava branco. O dia estava se oferecendo com folha e lápis de cor para que a gente o escreva.

Com o passar dos dias, a espiral do tempo que não tem fim nem começo, recebi alguns dilemas e também suas respostas. Claro para mim que existe algo maior que me protege e faz isso muito bem. Abençoada? Talvez. Não sei se é essa a melhor definição. De qualquer forma, é a melhor palavra para definir alguns encontros e desencontros dessa minha vida louca.

Por falar nisso...

Memorable Quotes from the movie LOST IN TRANSLATION (2002):

Charlotte: I just don't know what I'm supposed to be.
Bob: You'll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you.

Charlotte: Let's never come here again because it will never be as much fun.

E a verdade pura mora na frase de chamada do filme: Everyone wants to be found. Sim, eu, você, todos queremos encontrar e sermos encontrados! A busca é uma via de mão dupla. Quando menos se espera há pessoas de igual ritmo percorrendo o seu caminho e revelando novas formas de se ver o que já está tão desgastado.

Pessoas ultrapassam o bê-a-bá.

"Deus sabe o que eu quis foi te proteger do perigo maior que é você!!!"
 
Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa  

"Sei que a tua solidão me dói!!!"

Ai, como dói... Dói o coração, dói a alma! Difícil ver, entrar, compreender o mundo de outra pessoa, partilhá-lo e fazer com que a pessoa perceba os dilemas que são tão seus.

Pensamentos! As falas me perturbam! Preciso de silêncio! Silêncio... Refletir.

É como se tudo estivesse virando e eu, no meio, com labirintite. Estou perdida. Sinto que mais um "casulo" vem por aí. Está eminente.

Preciso me encontrar.

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, Cinema e vídeo, Arte e cultura, Café e Vinho + Conversas sobre o nada!