Paraty. Para mim. Para todos nós!

 

A FLIP deste ano teve sabores especiais. Foi uma Festa Literária diferente, melhor aproveitada, com pessoas queridas que também a desfrutaram tanto quanto eu.

Nossa chegada foi na quinta-feira (03/07). Saímos de Jundiaí por volta das 5h30 da manhã e acompanhamos o nascer do sol na estrada. Paramos para tomar um café longo, preguiçoso e cheio de risadas no Frango Assado da rodovia Carvalho Pinto (pão de semolina com manteiga na chapa e pingado). Depois, seguimos direto para nosso destino.

Chegamos na cidade às 11h30. Fizemos o check-in na Pousada do Sono, outra cheia de cacarecos, coloridos, balões, plantas e um consultório de dentista. Sim! Logo na entrada (e de frente à janela de meu quarto) havia um motorzinho funcionando nas bocas de desafortunados (é, eu odeio dentista). Pagamos o restante das diárias para a Lissandra (ex-professora (mestre) de história e agora rechonchuda proprietária de um canto bucólico em Paraty), e seguimos para as ruas pé-de-moleque (como os locais chamam as ruas de pedra da cidade) e para a concentração da festa: as tendas. Tudo estava do jeitinho que a memória guardara. E é sempre tão gostoso chegar e se sentir em casa, como se não tivesse nunca saído de lá. Uma festa parece começar onde a outra terminou, uma dança circular, particular e minha!

Como o Ari teve de trabalhar na quinta e na sexta in loco, saí com as meninas (Andréa, Maria e Thaís) para olhar as ruas e almoçar. Almoçamos no restaurante “O Café”. Elas pediram uma lasanha de palmito pupunha e eu pedi uma empada e uma torta. Bebemos cervejas e pingas para afastar a uruca que ficou em Jundiaí. Foi muito legal tê-las por perto e conversar sem hora marcada e sem compromisso. Comecei o meu processo de recuperação de um semestre para lá de estressante ali.

Voltamos para a pousada para resgatar o Ari, e fomos assistir à mesa da bossa nova com o Carlos Lyra no telão. Foi muito bacana! Depois da mesa comemos o pastelão da barraquinha Pastelloni (uma tradição já). Passeamos pela cidade e ficamos um tempão assistindo a um cara pintar paisagens com sprays. O Ari até encomendou uma figura de bateria com ele, que ficou muito criativa.

A Giovana estava para chegar na cidade de ônibus às 21h. Logo que ela chegou fomos jantar no “Restaurante Pinocchio” (sim, tudo é assustadoramente decorado com o homônimo personagem da Disney). Foi tudo muito bem para todos, menos para mim que tive meu prato trocado (pedi um peixe e recebi um suculento filé mignon) e portanto comi saladas e um pedaço do cação da Gi. Passamos em frente ao Café Paraty para tentar assistir a músicos jundiaienses tocando jazz (um deles é amigo da Thaís). Andréa, Maria, Ari e eu voltamos para casa e Giovana e Thaís entraram para assistí-los. O couvert era R$25.

 

Novo dia! Sexta-feira (04/07) e muitas mesas pela frente! Acordei mais cedo do que os outros (efeito colateral de acordar cedo todos os dias) e fui desbravar a mesa de café da manhã da pousada. Encontrei a Andréa (que sofre do mesmo mal que eu) e uma mesa cheia de quitutes (inclusive um maravilhoso pudim de leite) e coisas fresquinhas (suco de laranja espremido na hora). Ficamos batendo papo e comendo até as outras meninas se juntarem a nós. Levantamos acampamento para as tendas. O Ari pegou o notebook e se instalou no “Café Submarino” onde havia acesso wi-fi passando o dia todo lá.

Nossa primeira mesa foi “Ficções” formada por uma cineasta argentina (Lucrecia Martel) e um escritor brasileiro (João Gilberto Noll). Achei a escrita dele muito boa, só não gostei da leitura que ele fez. Ele quis fazer vozes para ler os trechos. Achei aquilo tudo muito forçado e totalmente dispensável. Lucrécia falou menos do que deveria mas, disse que seus filmes são muitas vezes inspirados pelas conversas que sua mãe, irmãs, tias, avós e primas tinham durante o café da tarde. As fofocas, a forma sutil de falar mal umas das outras ou de coitadas que não estavam a mesa e não tinham como se defender. Durante essa mesa tive a feliz notícia de que Caco Barcellos não poderia participar da mesa da tarde e que seu substituto seria Guilherme Fiuza (o autor do livro “Meu Nome não é Johnny” e co-roteirista do filme). Gostei da notícia pois fiz uma análise discursiva entre este filme e “Tropa de Elite” e seria a oportunidade de fazer questões diretamente à fonte. Consegui ingressos para a Tenda dos Autores para mim e para a Andréa, que me acompanhou. Antes da mesa almoçamos no “Restaurante Dona Ondina” e pedimos uma lula recheada (lula recheada com camarão, palmito e mussarela). Dizem que este é um prato típico de Paraty mas só o experimentei neste ano e o recomendo!

A mesa foi muito boa! O jornalista inglês Misha Glenny, autor de McMáfia, deu um show de informações sobre o submundo do tráfico e das “gangs”. Guilherme Fiuza não respondeu à minha questão especificamente mas respondeu a uma muito parecida com a minha, que foi um cruzamento sobre os personagens de João Estrella e Cap. Nascimento com a questão ideológica.

Para finalizar as mesas do dia, tínhamos David Sedaris autor comparado a Woody Allen por seu humor negro nas crônicas. Sedaris escreve histórias a respeito de sua vida pessoal. Fomos, eu e Ari, à tenda dos autores. Eu e a Giovana gostamos muito dele, os outros o acharam meio americano demais (ele fez uma piadinha muito sem graça sobre o Brasil e macacos). Depois da mesa, saímos para jantar e ouvir uma música latina no Che Bar. Tomei um creme de camarão muito gostoso (estava com gripe). O Ari tomou uma Devassa Loira e a Thaís tomou um mojito. Andréa continuou com a sua Maria Izabel (cachaça da terra). Maria tomou um clássico chopp e Giovana tomou água. Nesta noite, a Thaís e eu ficamos muito emocionadas com um comentário que ela me fez.

 

Sábado! O grande dia! Saímos da pousada com o café da manhã reforçado para pegar a fila da mesa do Neil Gaiman, o astro da FLIP 2008. Entramos na tenda e pegamos um lugar bom, já que as primeiras filas são sempre reservadas para patronos, autores, editores, etc, etc. Ele é muito simpático e doidinho. Tem um cabelo todo desgrenhado, que a Giovana e a Thaís adoraram. Depois da mesa, foi o momento da maratona de autógrafos. Ele ficou autografando livros por longas cinco horas e meia! O Ari ficou na fila por quatro horas para ser atendido. Ele foi muito solícito e simpático com todos, até desenhos ele fez nos livros. Coisa rara. Nós, Andréa, Maria, Thaís e eu, almoçamos no Margarida Café. Um lugar belíssimo que vale a pena a visita apesar de ter um preço meio salgado (mas, afinal, o que não é salgado em Paraty?). Comi um ravioli com camarões e molho branco divino! Na mesa, discutimos sobre nossas dores e dificuldades do semestre. Foi uma sessão solidária.

Voltamos para a mesa dos italianos Alessandro Baricco e Contardo Calligaris. As meninas foram, mas eu fiquei com o Ari na fila dos autógrafos do Neil Gaiman. Elas disseram que foi muito boa. Depois deles, ainda tínhamos o Tom Stoppard às 19h. Foi legal mas poderia ter sido melhor principalmente para responder às nossas expectativas que eram tão altas sobre ele. Como prêmio para o Ari, jantamos no restaurante favorito dele, o Netto, e comemos o Camarão ao Netto, que é um prato composto por camarões graúdos empanados com queijo parmesão, batata roti e arroz. Uma delícia! Por um preço muito bom: R$38 para duas pessoas. Saímos para caminhar nas ruas, comer um doce de carrinho (há vários carrinhos de doce pela cidade) e voltar para a pousada.

 

Último dia... Acordamos já tristes e tomamos o excelente café da manhã, me permiti comer dois pedaços de pudim de leite! Acompanhamos as mesas das 10h e das 11h45 lá dentro da Tenda dos Autores. A mesa das 10h era a do Pierre Bayard que tratou sobre um tema interessantíssimo: a responsabilidade que temos ao escolher livros que sejam pertinentes para as nossas vidas já que não teremos tempo de ler todos os que existem. A mesa das 11h45 tratou do futebol com duas figurinhas peculiares José Miguel Wisnik e Roberto DaMatta. Wisnik comparou o chute folha seca de Didi com as jogadas de Ronaldinho. E falou que nossos ídolos são sempre lembrados por apelidos ou diminutivos, diferente dos ídolos europeus que são lembrados por seus sobrenomes. Isso denota a intimidade que brasileiros possuem entre si.

Nosso último almoço foi um presente. O Ari descobriu um lugar chamado Arpoador que serve moquecas. Comemos uma de siri simplesmente maravilhosa. Os sucos eram todos feitos da fruta e a salada muito bem servida.

Saímos de Paraty por volta das 17h e paramos no Recanto Santa Bárbara na rodovia dos Tamoios para a tradicional torta de amoras. Nos despedimos ali (com direito a comentários emocionados entre Maria e eu) pois, um carro seguiria para SP e o outro para Jundiaí.

Chegamos em casa às 22h30 com impressão de que tudo foi um sonho e com gostinho de quero mais.

 

Já faltam menos de 365 dias para a FLIP 2009...

 

"Uma pessoa só muda quando a dor de permanecer for maior do que a dor de mudar." 

Marcos Meier

Magritte - "La Condition Humaine"

Em mim só manda um rei:

O que constrói as pontes

E destrói as muralhas

SÓFOCLES. Antígona.4 ed. R.J.: Paz e Terra, 2002, p.19

"De vez em quando me pergunto sobre a minha vida. Levo uma vida pequena. Bem, não pequena, mas valiosa. E, de vez em quando, me pergunto se a torno assim porque gosto dela desse jeito ou se porque não fui corajosa o suficiente para mudá-la. Tantas coisas que vejo me fazem lembrar de algo que li num livro, ou será que deveria ser ao contrário? Não quero uma resposta, na verdade. Só quero enviar essa pergunta cósmica para o vazio. Então, boa noite, querido vazio."
(fala da personagem Kathleen Kelly em "Mensagem para Você" (filme de Nora Ephron))

Belvedere - M.C. Escher

Depois de descobrir que seu freguês era escritor, Auggie lhe convida para conhecer suas fotos. “A maioria das pessoas não dá a mínima para livros e escritores, mas acontece que Auggie se considerava um artista.”, e lá vai Paul, sabe-se lá o que o esperava. A “obra de sua vida” eram doze álbuns de fotos, exatamente iguais, tiradas exatamente às 7 da manhã em uma esquina do Brooklin. Desconcertante. Imagine a surpresa muda nos olhos de William Hurt e o largo sorriso satisfeito no rosto de Harvey Keitel, a observá-lo folhear as fotografias. E ali se dá o diálogo que se segue...

Auggie: Just come to me. Ity’s my corner after all. I mean, it’s just one little part of the world, but things take place there, too, just like everywhere else. It’s a record of my little spot.
Paul: It’s kind of overwhelming.
Auggie: You’ll never get it if you don’t slow down, my friend.
Paul: What do you mean?
Auggie: I mean, you’re going too fast. You’re hardly even lookin’ at the pictures.
Paul: But... they’re all the same.
Agguie: They’re all the same, but each one is different from every other one. You got your bright mornings and your dark mornings. You got you summer light and you your autumn light. You got your weekdays and your weekends. You got your people in overcoats and galoshes… and you got your people in t-shirts and shorts. Sometimes the same people, same time different ones. Sometimes the different ones become the some and the same ones disappear. The Earth revolves around the sun, and every day, the light from the sun hits the Earth at a different angle.
Paul: Slow down, huh?
Auggie: That’s what I’d recommend. You know how it is. “Tomorrow and tomorrow and tomorrow… time creeps on its petty pace.”

(do filme "Smoke" (1995) ou, no Brasil, "Cortina de Fumaça")

Os Filmes de 2008

 

 

  1. Desejo e Reparação, de Joe Wright
  2. Sweeney Todd, de Tim Burton
  3. A vida dos outros, de Florian Henckel von Donnersmarck
  4. Juno, de Jason Reitman
  5. Onde os fracos não tem vez, dos Irmãos Coen
  6. A culpa é do Fidel, de Julie Gravas
  7. O Gangster, de Ridley Scott
  8. 4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu
  9. Mutum, de Sandra Cogut  
  10. Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima
  11. Novo Mundo, de Emanuele Crialese
  12. Quase Verdade, de Sam Karmann
  13. Império dos Sonhos, de David Lynch
  14. A comunidade, de Álex de La Iglesia
  15. O Caçador de Pipas, de Marc Forster
  16. Sombras de Goya, de Milos Forman  
  17. A lenda de Beowulf, de Robert Zemeckis
  18. PS: Eu te amo, de Richard LaGravenese
  19. Eu sou a lenda, de Francis Lawrence
  20. Antes só do que mal casado, de Bobby e Peter Farrelly

Sim, sim! Sou fã do Tim Burton e do Johnny Depp...

Os Pequenos Prazeres

- tomar banho quente com sabonete cremoso "leite e mel" da palmolive;

- ir ao cine bombril sala 2 acompanhada por uma xícara de café;

- comprar a folha de sexta-feira na banca da rua de cima e abrir o guia;

- comer o temaki de salmão com cream cheese e cebolinha do wasabi;

- ler vida simples esticada na cama ou encolhida no sofá com uma bebidinha quente...

e mais...

O Noitão Belas Artes

 

Na última sexta-feira comprei o Guia da Folha e descobri que haveria o primeiro Noitão do cinema HSBC Belas Artes de 2008. Me perguntei quem poderia ir a um evento desses comigo, pois acreditei que apenas cinéfilos ou loucos por cinema, como eu, topariam tal empreitada.

Mandei mensagens para diversos amigos meio desacreditada da possibilidade de companhia. Estava errada. Todos se empolgaram com o convite e alguns não o puderam aceitar devido a compromissos no sábado logo cedo.

Com amigos a tira colo e ingressos já me esperando na bilheteria, fui. Quando cheguei vi uma fila enorme que se formava dentro do cinema na rua Consolação e alcançava a avenida Paulista. Aguardando estavam pessoas de todos os estilos, tribos e nem todos cinéfilos. Fiquei muito feliz por ver tantas pessoas ali para assistir a filmes noite afora. Loucos que nem eu!

 

Os filmes de 2008

 

  1. A vida dos outros, de Florian Henckel von Donnersmarck
  2. A culpa é do Fidel, de Julie Gravas
  3. Mutum, de Sandra Cogut
  4. Meu nome não é Johnny, de Mauro Lima
  5. Novo Mundo, de Emanuele Crialese
  6. Quase Verdade, de Sam Karmann
  7. Império dos Sonhos, de David Lynch
  8. Sombras de Goya, de Milos Forman
  9. A lenda de Beowulf, de Robert Zemeckis
  10. PS: Eu te amo, de Richard LaGravenese

“Mutum” é um filme cheio de poesia e de imagens bonitas do universo infantil. Tal qual “A culpa é do Fidel” faz da percepção de uma criança o mote central dos acontecimentos familiares, sociais e políticos de um recorte no tempo. E você, sabe o que quer dizer Mutum? Vá ao cinema.

 

“Sombras de Goya” é um filme que tinha tudo para dar certo. Artista de primeira, atores de primeira, diretor de primeira. Uma pena que ficou tudo na promessa. Ainda assim vale a pena para reforçar aquela raivinha da Inquisição e da Igreja. Erros do passado justificam o presente?

 

Conclusões do final de semana:

 

 

 

 

 

 

 

Os filmes de 2008

1. A vida dos outros

2. A culpa é do Fidel

3. Meu nome não é Johnny

4. Império dos sonhos

5. A lenda de Beowulf 3D 

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1 e 2

Filmes que tem em comum a transformação das duas personagens principais. Foram assistidos na seqüência: 2-1. "A culpa é do Fidel" fez com que eu recordasse com carinho as frases ouvidas pelas crianças em sala de aula e despertou o desejo de saber como a Júlia será nesta idade. "A vida dos outros" é um crescente que desagüa num final. Chorei muito. O filme me tocou como há muito nenhum o fazia.

3

Grata surpresa nacional. Selton Mello é o filme.

4

Mullholland Drive - parte 2. Alta expectativa, baixa satisfação.

5

Como o Guia da Folha aconselha: só vale se for 3D. Divertido.

(...)

Quando chegar,
sobe ao ponto mais alto do lugar,
onde a encosta do mundo
faz a curva mais pendente.

E então acena.
De onde estiver, quero enxergar
esse momento em que você vai constatar
que a vida vale grandemente a pena.

(Despedida - Flora Figueiredo)

http://www.florafigueiredo.com/

 

Daqui a dois anos e meio mais uma dissertação engrossará as estantes da Universidade Estadual de Campinas. Em sua capa estará escrito em letras prateadas: "O cinema e a sala de aula: as privações dos letramentos visuais e críticos na análise de filmes". Em meu coração estará tatuado em letras vivas: "Mais um sonho vira realidade". Em todo o processo estará estampado em minha face uma grande gratidão por todos que me apoiaram e me deram forças para não desistir do processo seletivo, uma incerteza sobre os pequenos (ou grandes) sacrifícios particulares que virão e uma satisfação sem tamanho por voltar a sentar na cadeira de aluna mais uma vez.

 

E se eu for o primeiro a prever
e poder desistir do que for dar errado?
Ah, ora, se não sou eu quem mais vai decidir o que é bom pra mim? 
Dispenso a previsão!
Ah, se o que eu sou é também 
o que eu escolhi ser aceito a condição.
 
Vou levando assim
que o acaso é amigo do meu coração
quando fala comigo, quando eu sei ouvir... 
 
(Los Hermanos - O velho e o moço)

“A smile starts on the lips, a grin spreads to the eyes, a chuckle comes from the belly, but a good laugh bursts forth from the soul, overflows, and bubbles all around.”

“Que roupa você veste, que anéis?
Por quem você se troca?
Que bicho feroz são seus cabelos
Que à noite você solta?
De que é que você brinca?
Que horas você volta?

Seu beijo nos meus olhos, seus pés
Que o chão sequer não tocam
A seda a roçar no quarto escuro
E a réstia sob a porta
Onde é que você some?
Que horas você volta?

Quem é essa voz?
Que assombração
Seu corpo carrega?
Terá um capuz?
Será o ladrão?
Que horas você chega?

Me sopre novamente as canções
Com que você me engana
Que blusa você, com o seu cheiro
Deixou na minha cama?
Você, quando não dorme
Quem é que você chama?

Pra quem você tem olhos azuis
E com as manhãs remoça
E à noite, pra quem
Você é uma luz
Debaixo da porta?
No sonho de quem
Você vai e vem
Com os cabelos
Que você solta?
Que horas, me diga que horas, me diga
Que horas você volta?”

(Você, você – Chico Buarque e Guinga – voz de Mônica Salmaso)

 

Blindness - Cegueira

"No último domingo de setembro os atores Julianne Moore (a mulher do médico), Mark Ruffalo (o médico), Danny Glover (o velho com a venda), Alice Braga (a rapariga dos óculos escuros), Yusuke Iseya (o primeiro a cegar), Yoshimo Kimura (a mulher do primeiro a cegar) e Mitchell Nye (o garotinho estrábico), acompanhados do Cão das Lágrimas, percorreram o viaduto do Chá e a rua Libero Badaró, em busca de suas casas." (Folha de S. Paulo, Ilustrada, 14/10/07)

Fernando Meirelles está atualizando um blog a respeito de seu desafio em montar "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago para o cinema. O autor demorou anos para autorizar o roteiro assinado pelo canadense Don McKellar. O filme deve ser exibido no Festival de Cannes de 2008 e, para nós, só deve chegar na segunda metade do próximo ano. Dá tempo para uma releitura da obra-prima.

Em mim há um misto de calafrio e ansiedade para ver o resultado. "Ensaio" é um dos meus livros favoritos embora tenha me causado muitas noites sem sono. O perigo de ver sua imaginação na tela grande é limitar o olhar dos outros e dividir o olhar de um em milhares...

Link para o blog de Fernando Meirelles: http://blogdeblindness.blogspot.com/

 

"nunca me farto do uníssono com a vida"

"com as cores que lhe dei, pedra tua cor, seja por amor"

"quem sabe tudo não fale, quem não sabe de nada se cale"

"há que tirar o sapato e pisar com tato nesse litoral"

"há diferença abstinente no prosseguir da gente"

"deixei em preto e branco minhas lembranças mais queridas"

Songs for a cloudy afternoon

Por um motivo ou outro as canções a seguir conseguem transformar um dia nublado, cinza e triste (ao meu ver) em outro dia aberto, colorido e feliz... Qual canção você incluiria nesta lista?

1. Sapato Velho - Roupa Nova

2. Don't Stop Believin' - Journey

3. Madalena - Elis Regina

4. God Only Knows - Beach Boys

5. Segue o Seco - Marisa Monte

6. Blackbird - The Beatles

7. Retrato pra Iaiá - Los Hermanos

8. Two Step - Dave Matthews Band

9. Caro Amigo - Chico Buarque

10. Clocks - Coldplay

 

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